domingo, 26 de dezembro de 2021

A Compaixão de uma diaconisa que amava a obra

UMA HISTÓRIA PARA INSPIRAR

 Publicado no site da Campanha de Missões Estaduais da CBPE 2021


Compaixão tem pouco a ver com o que possuímos, mas com o que nos motiva e nos move. Ao pensar no desafio missionário e no nosso papel como discípulos de Jesus Cristo vem à memória a minha avó, a Diaconisa Estelita Ferreira, que dorme no Senhor. Ela me dizia: “Eu queria ser missionária, mas casei, tive muitos filhos…”. E colocava a mão no rosto, como se estivesse se recriminando. Mas ela foi a fundadora da PIB em Dois Unidos. A igreja onde me converti, aprendi a Bíblia e tenho o prazer de servir ainda hoje.


Da época de congregação já vão 25 anos. Antes do templo, o culto foi inicialmente na calçada da sua casa.


O que vem realmente ao meu coração ao lembrar de compaixão foram os momentos já finais de sua vida. Ela teve um AVC, ficando com um lado do seu corpo paralisada. Já não podia mais tocar o órgão que embalava os hinos do Cantor Cristão em nossos cultos. Mesmo com apenas uma mão, ainda tocou em uma celebração. Ainda que não pudesse mais sair de casa, ela distribuía literaturas para todos que chegavam por lá para visitá-la. Como uma pessoa muito querida, sempre tinha visita. Os folhetos não paravam por lá.


Certa vez, já doente, ela inocentemente me disse que estava reunindo algumas bíblias para mandar para a China. Era uma campanha que enfatizava a necessidade de enviar as Sagradas Escrituras para o País asiático. Eu disse que não era possível assim, porque eles liam outro idioma. Ela ficou meio aborrecida, mas reuniu o que podia de ofertas, da sua humilde aposentadoria, para que a palavra chegasse até algum irmão do outro lado do mundo.


Por fim, na sua última semana de vida, antes de ir ao hospital me pediu para adotar um missionário. Mesmo com limitações financeiras, ela sempre contribuiu para a igreja local e para o campo. Eu era o promotor de missões naquela ocasião. Não deu tempo de finalizar aquele processo de preenchimento e envio antes dela ser internada pela última vez. Mas o apoio aos missionários ficou no meu coração e sem dúvida também marcou a vida de outros irmãos que com ela conviveram.


A diaconisa Estelita não tinha muitos recursos, mas tinha compaixão, por isso ofertava. Ela não tinha mais saúde e não se deslocava mais, mas tinha compaixão, por isso participava da evangelização mesmo sem sair de sua casa. O texto bíblico vem ao meu coração quando lembro do folhetos, das cartas e dos missionários está em Atos 20.24: “Mas de nada faço questão, nem tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus”.


Rafael Dantas

PIB em Dois Unidos

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